Sabe quando tu te da conta que tu mudaste?
Hoje eu tava caminhando e pensando no que eu era antes e no que eu me tornei. Claro que ainda não sou a pessoa mais agradável; nem a mais doce, mas alguém um pouco melhor – diga-se de passagem.
Não me sinto mais a monstra que eu era lá no inicio do ano. Vivia sozinha, independente dos outros, era fria, estável e muito indiferente a tudo. As pessoas que eu tinha eram poucas e satisfatórias, não queria mais do que eu tinha. Não dependia de ninguém e –talvez- ninguém dependesse de mim. Era uma vida fácil e fria. Sempre achei que ser assim tornava tudo mais fácil, pratico enfim, não permitia em momento algum que as pessoas chegassem perto de mim o suficiente pra me conhecerem. Me conhecer, levava muito tempo e na grande maioria das vezes eu nem fazia questão; logo, isso não acontecia.
Isso mudaria da noite pro dia, alguém me mudaria. Me ensinou que deixar as pessoas longe de mim não facilitava em nada, afinal, elas não estavam comigo eram só pessoas. Aprendi a cuidar de alguém e me importar até com um espirro. Gostar e me deixar ser “gostada”, deixar que as pessoas me conhecessem, descobrissem em mim o que lhes agradaria ou não. Enfim, aos poucos e com certa dificuldade eu aprendi a viver, sem tanto medo de sofrer, arriscar sem me importar com o que vem lá na frente. Sentimentos ruins são necessários pra gente crescer, como ser humano e como pessoa, é necessárias experiências ruins pra gente em outro momento ajuda alguém quem talvez esteja com um problema semelhante.
Não foi fácil eu aceitar que não era mais aquela pedra de antes, talvez eu tenha me tornado até alguém amável – com um teor de acidez alto, claro – ou não. Eu não tinha me dado conta de que eu não consigo mais ser quem eu era, tentei mas me acostumei a ter –algumas – pessoas perto de mim e não da mais pra viver “sozinha”.
Sei que mudei e muito. E to mudando ainda, ajustando algumas coisas e quem sabe me tornando alguém, no mínimo, agradável.
Isso interessa a ti; Brigada por ter me mudado, mesmo que sem esforço algum, brigada por me mostrar que as pessoas não são perfeitas como eu queria que fossem, mas são perfeitas do seu próprio modo. Brigada por do dia pra noite me mostra como é divertido e perigoso gostar de alguém e que mesmo que fatos ruins aconteçam, as coisas valem à pena, mesmo que por ventura venham a acabar. Brigada por em muitos momentos ter me agüentado com o meu mau humor e a minha acidez. Brigada por - quase- sempre me ter feito um bem imenso. Brigada por muitas vezes me deixar tranqüila com um sorriso. Brigada por me fazer ficar segura com um abraço e por mais que tudo seja instável, encontra um pouco de segurança em ti. Brigada por ter paciência. Brigada por deixar eu “cuidar” de ti e mesmo que de uma maneira fria, fazer alguma diferença – mesmo que pequena – na tua vida. Brigada por me fazer aprender, a dizer o que eu sinto, sem medo. Enfim brigada por me ensinar a não ter medo.





